01
Jul
09

Finney: Vilão ou Herói?

Talvez nenhuma figura teológica cause mais polêmica do que Charles Finney, que na verdade, representa inclusive um vislumbre da batalha calvinista-arminiana, que é um dos debates históricos mais antigos da teologia.
De um lado temos numerosos calvinistas, onde para eles, Finney era um lobo em pele de ovelha,
alguém que chamam avivalista, mas que contribuiu extremamente para uma filosofia e teologia humanística e antibíblica, sendo que ele mesmo era um herege pelagiano. No outro lado, arminiano, Finney é o herói do segundo grande despertamento que existiu nos Estados Unidos, digno de toda a aceitação, respeito e consideração, para o lado pentecostal principalmente, Finney é um guerreiro, um Immanuel Kant (como foi dito na introdução de sua teologia sistemática editada pela CPAD) evangélico que derruba qualquer gigante.
Dentro deste contexto, procurarei dar meu parecer, à luz da Palavra de Deus e dos fatos, sobre essa curiosa figura chamada Charles Finney.
ARGUMENTOS CONTRAS:
Finney é extremamente criticado pela ala reformada do protestantismo, sendo alvo constante de figuras famosas como Augustus Nicodemus Lopes, John Macarthur Jr, Michael Horton, entre outros. As acusações mais graves contra Finney são:
a)- Dar suporte as teorias de avivamento contemporâneo e da metodologia do Movimento de Crescimento de igrejas, através da prática das campanhas.
b)- Ser pelagiano em sua teologia, ou seja, Finney nega que o ser humano, ao nascer, possua o pecado original.
c)- Negar a doutrina da Justificação pela Fé, crendo que o ser humano possui totalmente capacidade de obedecer a cristo.
d)- Crer que Cristo morreu para dar um exemplo, mas não para nos redimir ( negação da expiação vicária).
São extremamente graves as acusações feitas contra Finney, e muito bem expressas no blog Deus Pro Nobis, de origem totalmente calvinista. Eis alguns trechos do artigo intitulado A Estranha Teologia de Charles Finney:
Finney tem sido conhecido como um grande avivalista do século retrasado e que trouxe uma grande contribuição no segundo grande avivamento americano que foi, em grande parte, influenciado pela teologia arminiana. No site da Casa Publicadora das Assembléias de Deus se lê a seguinte descrição deste pregador: Charles Finney foi o maior evangelista desde os tempos apostólicos. Suas convicções teológicas nasceram no fogo do avivamento e foram formadas por uma consciência moldada pelo estudo do Direito e comprometida com a plena autoridade da Bíblia. Por tudo isso, a Igreja de hoje deve estudar suas posições sobre o governo moral de Deus, a natureza do homem, arrependimento, soberania, atributos do amor, entre outros.
Da mesma forma, no site da Editora Vida, há uma apresentação nos mesmos moldes:
Charles Grandison Finney (1792-1875) foi um dos maiores evangelistas da América do Norte. Até hoje o testemunho de sua vida, pensamentos, lutas, realizações, amor incondicional a Deus e compromisso permanente com o Evangelho de Cristo é fonte poderosa de inspiração e exemplo para os cristãos…
Custa-me crer que os Assembleianos e os editores da Editora Vida recomendariam esta leitura após um aprofundamento na teologia deste avivalista. Prefiro atribuir a publicação destas obras de Finney à ignorância aos postulados teológicos deste pregador. Parece-me que à medida que a teologia reformada vem retomando o seu lugar no Brasil, há uma propagação de um falso ensino do evangelho igualmente.

Creio que tal posição mostra um pouco da visão reformada acerca de nossa compreensão de Finney, independente de estarem certos ou não, verdadeiramente a CPAD credita muito valor a ele, isso é um fato.
O autor do blog baseia-se muito em um artigo de Michael Horton, publicado pela Editora Fiel na revista evangélica Fé Para Hoje. O artigo de Horton é intitulado: O Legado de Charles Finney, tendo sido publicado no ano de 2000.
Eis alguns trechos deste artigo:
Ele[ Finney] é tão popular. Ele foi grandemente responsável pela mudança da ortodoxia reformada, evidente no Grande Avivamento(nos ministérios de Edwards e Whitefield), para o avivalismo arminiano (na realidade, também pelagiano), evidente desde o Segundo Grande Avivamento até ao presente. Para demonstrar a dívida do evangelicalismo moderno para com Finney, temos de inicialmente observar seus desvios teológicos. Com base nestes desvios, ele tornou-se pai de alguns dos grandes desafios contemporâneos dentro das próprias igrejas evangélicas, ou seja, o Movimento Crescente de Igrejas, o Pentecostalismo[nem a gente escapou] e o Avivamento politico”
Todavia, a crítica a Finney não para por aí. Segundo Horton( de forma bastante tendenciosa): “Reagindo contra o calvinismo do Grande Avivamento, os sucessores daquele grande movimento do Espírito afastaram-se do caminho so Senhor e seguiram o dos homens, apartaram-se da pregação de conteúdo objetivo(ou seja, Cristo crucificado) para…levar as pessoas a ‘fazerem uma decisão’.
Charles Finney…ministrou nos rastros do segundo avivamento…ao considerar qualquer assunto a ser ensinado, esta era a pergunta fundamental de Finney:’Isto é bom para converter os pecadores?’
“.

É óbvio que Horton acaba colocando Finney como o pai do pragmatismo evangélico. Horton prossegue mostrando “o que estava errado na teologia de Finney?”, então faz afirmações e busca comprová-las com base na própria teologia sistemática de Finney, que para ele, na verdade não passam de “ensaios a respeito da moralidade”, todavia Horton afirma que “não estamos afirmando que a obra de Finney não possui algumas declarações teológicas significativas.
Respondendo à pergunta: ” O crente que deixa de ser crente sempre comete um pecado?“, Finney disse: ‘Sempre que comente um pecado, o crente deixa de ser santo. Isto é evidente. Sempre que peca, ele precisa ser condenado; tem de incorrer na penalidade da lei de Deus,Se alguém disser que que o preceito da lei ainda vigora, mas que, no caso de crente, a penalidade foi anulada para sempre, eu respondo afirmando que anular a penalidade da lei é cancelar seu preceito, pois, se o preceito não demanda punição, não existe lei e sim apenas uma advertência ou conselho. Por conseguinte, o crente é justificado em proporção à sua obediência...’” depois Horton prossegue dizendo que “Finney acreditava que Deus exige perfeição absoluta, mas, ao invés de levar as pessoas para buscarem perfeita justiça em Cristo, ele conclui que: ‘… a plena obediência no presente é a condição para a justificação. porém, quanto à pergunta: o homem pode ser justificado enquanto o pecado permanece nele?, respondemos: é certo que não, quer seja com base em princípios da lei ou do evangelho, a menos que a lei seja anulada. Ele pode ser perdoado, aceito e justificado, no sentido evangélico, enquanto o pecado, em qualquer grau, permanecer nele? Absolutamente não.’ …agora já podemos ressaltar que ela[ a doutrina da justificação de Finney] está fundamentada sobre a negação do pecado original. Afirmado tanto por católicos quanto evangélicos…ao contrário da doutrina do pecado original, Finney acreditava que os seres humanos são capazes de escolher se desejam ser corruptos por natureza ou redimidos, referindo-se à doutrina do pecado original como um ‘dogma sem lógica e fundamento bíblico’” Horton acusa Finney de ter afirmado que não nascemos com a natureza pecaminosa de Adão, mas simplesmente seguimos seu exemplo, outra acusação grave feita contra Finney é quando se afirma que ele negava a expiação vicária, segundo Horton “Finney acreditava que Cristo morreu por um objetivo e não por um povo”, então busca confirmar sua afirmação baseando-se na Sistematic Teology de Finney: “a Expiação ofereceria às criaturas os mais elevados motivos a serem imitados. O exemplo é a mais poderosa influência moral que pode ser praticada. Se a benevolência manifestada na expiação não subjuga o egoísmo dos pecadores, a situação destes é desesperadora (p. 129)” Caso Horton esteja certo então significa que Finney acreditava na doutrina da expiação como “Influência Moral” proposta por Pedro Abelardo, monge e teólogo da Idade Média( na verdade, ele acabaria indo muito além dela, chegando bem perto da doutrina da expiação proposta por teólogos liberais). Outra acusação gravíssima é quando Horton cita um trecho da teologia sistemática de Finney: ” a regeneração consiste na atitude do próprio pecador mudar a sua intenção, sua preferência e sua escolha definitiva; ou mudar do egoísmo para o amor e a benevolência( p. 224)”
e Finney também afirmou: ” A pecaminosidade original, a regeneração física e todos os dogmas resultantes e similares a estes opõe-se ao evangelho e são repulsivos à inteligência humana (p. 236)”.
O caso complica-se muito para Charles Finney, caso essas afirmações serem certas. Outro crítico de Finney é John Macarthur Junior, que em sua obra “Com Vergonha do Evangelho”,publicado pela editora Fiel, traz um apêndice que aborda Finney por uma perspectiva mais histórica, no qual Macarthur faz objeções a conversão de Finney, assim também como o calvinismo da época e afirma que na maior parte dos avivamentos de Finney, muitos esfriaravam novamente, sendo como carvões que, queimados, já não conseguiam mais queimar.
DEFENSORES:
Finney possui, muitos defensores,principalmente do lado Assembleiano, uma prova disso é a publicação de sua teologia sistemática por parte da CPAD. Um grande admirador de Finney era o célebre Orlando Boyer, que chegou a colocá-lo no hall de heróis cristãos no clássico pentecostal Heróis da Fé.
Ao contrário de Macarthur e outros proponentes calvinistas, os pentecostais( e muitos outros arminianos) afirmam que as pregações de Finney foram uma grande benção, sendo que a maioria das pessoas convertidas por seu intermédio continuaram vivas e atuantes na igreja. O que devemos fazer para solucionar este mistério é buscar respostas no próprio Finney, e é claro, o respaldo supremo das Sagradas Escrituras. Como Já falei, procurarei ser o mais bíblico e honesto possível, tentando não tomar partido de ninguém.
ACUSADO E ACUSADORES: OS ARGUMENTOS.
Horton afirma que Finney era um pelagiano na doutrina, juntamente com ele seguem-se grandes homens como o célebre e piedoso Martin Lloyd-Jones. Todavia, não é isso que Finney argumenta em sua teologia sistemática, pelo contrário, ele a refuta: ” Admito e sustento que a regeneração é sempre induzida e efetuada pela agência pessoal do Espírito Santo. A questão colocada diante de nós se relaciona inteiramente ao modo, e não ao fato, da agência divina na regeneração. Que isto fique bem claro,pois tem sido comum aos teólogos da velha escola[ referindo-se, certamente aos calvinistas],logo que se questiona o dogma de uma regeneração física e de uma influência física na regeneração, brandirem e insistirem que se trata de pelagianismo, que é uma negação completa da influência divina e que tal questionamento propõe uma auto-regeneração, independente da influência divina. Sinto vergonha de tais afirmações desses teólogos cristãos e fico aflito por sua falta de imparcialidade. é preciso, porém, declarar, que, de forma distinta, até onde sei, os defensores da teoria agora sob consideração nunca manifestara essa falta de imparcialidade para com os que puseram em questões esta parte de sua teoria relacionada a influência física”(p.368, conforme a obra editada pela CPAD).
Ao ver essa firmação de Finney, fica óbvio que esses acusadores estão errados. Então neste caso, Finney é declarado inocente. Ou será que não? Mais adiante, no capítulo intitulado Capacidade da Graça Finney faz essa surpreendente declaração: ” Que não seja firmado então, que negamos a graça do Evangelho glorioso do Deus bendito e que negamos a realidade e necessidade das influências do Espírito Santo para converter e santificar a alma, e que esta influência é a da graça, pois tudo isto defendemos com muito vigor. Mas sustento-o com base em que os homens são capazes de fazer o seu dever e que a dificuldade não se encontra em uma capacidade própria, mas num egoísmo voluntário, numa má vontade de obedecer o Evangelho bendito”, Custa-me a crer nas palavras de Finney. Se reparamos bem, vemos que Finney não negava a influência da graça no pecador tanto na conversão quanto na santificação, porém cria que “os homens são capazes de fazer o seu dever”, ou seja, Finney acaba caindo no ditado popular ” Deus ajuda aqueles que se ajudam”, em outras palavras, a graça de Deus influência, mas o homem é que deve dar o primeiro passo. Isso nada mais é do que semi-pelagianismo, ou seja, o homem tem a capacidade de desejar a salvação antes do toque da graça. Como pode Finney ter afirmado isso? É simples, Horton está correto ao afirmar que Finney negava a depravação e o pecado original. Para ele, o ser humano se encontra em pecado e necessita do auxilio da graça não por causa de sua natureza pecaminosa, mas sim por que ele voluntariamente se entrega ao pecado. Finney dedica um capítulo inteiro sobre isso em sua teologia. Inclusive dá uma outra interpretação de conhecidos textos bíblicos que afirmam a doutrina do pecado original e da concupiscência do homem. Veja o que ele afirma: ” De novo: ‘ Que é o homem, para que seja puro? e que nasce de mulher, para que fique justo?’ ( Jó 15.14). Essas são as palavras de Elifaz, sendo impróprio citá-las como verdade inspirada”, todavia Finney erra em sua conclusão. Muito daquilo que os três amigos de Jó afirmavam tinha verdade(eles erraram em alguns aspectos importantes, mas uma coisa não exclui a outra), o maior pecado dos amigos de Jó foi afirmarem que ele estava assim por causa de um pecado, e não por terrem feito essas afirmações, mas claro que Deus também os culpou disso(Jó 42.7). Outra afirmação bombástica de Finney: ” De novo: ‘ Éramos por natureza filhos da ira, como os outros também’ (Ef 2.3). Sobre esse texto observo que não pode, sendo coerente com a justiça natural, ser compreendido como afirmação de que somos expostos a ira de Deus por causa de nossa natureza. É um dogma monstruoso e blasfemo afirmar que um Deus Santo está irado com alguma criatura por esta possuir uma natureza que ganhou existência sem seu conhecimento ou anuência. A Bíblia apresenta Deus irado com os homens por seus atos perversos, não pela natureza deles”.
É claro o exercício de eisegese de Finney. Veja que ele não tenta explicar o texto bíblico, e sim afirmar termos como “justiça natural”, “dogma monstruoso e blasfemo” ,etc. Finney não apresenta nenhuma outra explicação sobre este texto,pelo contrário, impõe sua idéia sobre ele. Mais adiante, Finney continua irado com tal doutrina, afirmando que ela ” é uma pedra de tropeço tanto para a igreja como para o mundo, infinitamente desonroso para Deus e igual abominação para o intelecto de Deus e do homem, devendo ser banida de todo o púlpito e de toda a fórmula de doutrina e do mundo”, note que Finney tinha um repúdio por uma doutrina genuinamente bíblica e parece não entender o conceito bíblico sobre a “carne”. Nascemos pecadores, temos uma tendência ao pecado, todavia, essa natureza não se resume só nisso. Deus se ira conosco por termos herdado o pecado original de Adão, a sua desobediência, em outras palavras, nascemos rebeldes, só agimos mal por que essa é a nossa natureza que despreza o testemunho gracioso e a própria Lei da consciência em favor de nossas inclinações naturais. Não se pode culpar a Deus por Ele estar irado conosco,pelo contrário, Ele sempre manifestou seu conhecimento e misericórdia, mas como nascemos sob o pecado de Adão, sempre o rejeitamos. Era necessário o sacrifício de Cristo para nos salvar. As evidências demonstram realmente que Finney negava a expiação vicária, afirmando que se cristo morreu pelos nossos pecados, não morreu por nossos sofrimentos. Ou seja, Cristo deu apenas um exemplo, pois segundo Finney: ” Ele não podia, nem como Deus nem como homem, fazer algo mais do que cumprir suas próprias obrigações[no caso, obediência a lei moral]“. Quanto a doutrina da santificação plena, não é necessário falar muita coisa, apenas ler um de seus capítulos: ” Paulo Plenamente Santificado”, negando assim, textos claros como os de 1 João, que diz: ” Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” ( 1 Jo 1: 8-10)
CONCLUSÃO:
Concordo com a opinião do teólogo arminiano Roger Olson. Para ele, Finney realmente se enquadra nos moldes semipelagianos, e, como Olson afirma: ” seus motivos eram puros, mas sua teologia perniciosa”. Não procede a acusação calvinista de que o primeiro grande avivamento era somente calvinista (algo que está “implícito” nos comentários tecidos por eles) pois um dos maiores avivalistas daquele período era arminiano, no caso em questão, John Wesley. Em nenhum momento semi-pelagianismo e arminianismo são iguais. O arminianismo crê que Deus é que incia a salvação, sendo que o homem é depravado e está em revolta contra Deus, porém, quando Deus chama o homem, também o capacita e o fortalece para que ele receba a graça por meio da Fé, todavia, deve o homem estender a mão (capacitado por Deus) para aceitar o presente. A santificação plena vai muito além de Wesley. A doutrina de Wesley não era bem definida e até hoje gera controvérsias, enquanto que Finney a sistematizou de tal forma que ficou impossível de não entendê-la.
Finney aderiu a prática de campanhas de forma peculiar e influenciou muito o tipo de campanha evangelística que vemos hoje, onde o imediatismo está fortemente presente.
A meu ver, não é boa a atitude da CPAD de continuar vendendo a teologia de Finney, por conter muitos erros teológicos, também não concordo com a exaltação dada para ele por nossa editora confessional, apesar de tê-la no mais alto respeito, admiração e carinho. Creio que o que se deve fazer é incentivar mais teólogos pentecostais clássicos para produzirem uma boa obra teológica. esse é meu parecer no assunto.
Soli Deo Gloria.
Nota: esse artigo se desenvolveu na medida que eu descobria as coisas investigado nos escritos de Finney e seus opositores, sendo que cheguei a essa conclusão após analisar a própria teologia sistemática de Finney, emprestada a mim por um amigo e irmão em Cristo
Referência bibliográficas:
FINNEY, Charles. Teologia Sitemática.2º ed.Rio de Janeiro: CPAD,2001.
MACARTHUR, John. Com Vergonha do Evangelho: quando a igreja se torna como o mundo.2º ed. São Paulo, Fiel, 2004
Olson, Roger. História das Controvérsias na Teologia Cristã. Rio de Janeiro: Vida, 2004.
Revista Fé Para Hoje. São Paulo: Fiel. 2001
Artigo escrito originalmente para o blog geração que Lamba, onde busquei relatar com a maior precisão possível o debate sobre a polêmica figura de Finney no meio evangélico.
31
Jan
09

O vinho é pecaminoso?

Uma questão até hoje polêmica na igreja é sobre a ingestão de bebidas alcoólicas pelo crente. Seria pecado? Ou uma simples questão de consciência onde o cristão “forte” pode livremente desgustar prazerosamente? Todas essas questões até hoje causam tumultos. No âmbito Batista Fundamentalista e Pentecostal, o cristão é proibido de ingerir bebidas alcoólicas, pois ela o prejudica perante o mundo e pode levar ao pecado explicíto da bebedeira. Por outro lado existe o ramo das igrejas históricas -presbiterianos, batistas tradicionais, anglicanos ,Luteranos, entre outros – é permitido que o crente beba bebidas alcoólicas, porém com moderação e bom senso. A Biblia tem a resposta para essa questão.

A bebida em si não é pecado, tem valor medicinal( 1Tm 5:23) alegra o coração do homem(Sl 104:15), entre outras coisas. Entretanto o excesso pode levar a perda da sobriedade, por isso a Escritura explicitamente diz para não nos embriagarmos(Pv 20:1), e também diz que o não podemos dar escândalo aos irmãos mais fracos na fé(Rm 14:21), por isso, devemos analisar a seguinte questão: onde bebemos, com quem bebemos e como bebemos. Ainda que bebamos sabiamente, não convém estarmos sentados em uma mesa de bar, onde há pecado e incredulidade, além de correr o risco de ser visto por um irmão fraco na fé e levá-lo a tropeçar.

Outro fator importante é com quem bebemos. O mundo previsa ver que somos luz do mundo, por isso creio que não ajudará muito sentar junto com um incrédulo para beber qualquer tipo de bebida, além de corrermos um risco desnecessário de nos desviarmos do caminho do Senhor sendo levados para uma possível bebedeira. Já debati com muitos jovens de uma determinada igreja confessional sobre isso, e infelizmente notei certa repulsa por parte deles com relação a advertências de coisas que não convém, infelizmente estamos numa época de oito ou oitenta. Que Deus possa nos dar a benção de sermos moderados como a sua Palavra!

Soli Deo Gloria

23
Dez
08

Sobre o Natal –

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por Nilton Rodolfo

“Porque um menino nos nasceu,um filho se nos deu;e o principado está sobre os seus ombros;e o seu nome será Maravilhoso,Conselheiro,Deus forte,Pai da eternidade,Príncipe da paz.”(Isaías 9.6)

O Natal se aproxima. As pessoas estão comemorando o nascimento de Jesus! Ou pelo menos deveriam estar…

É engraçado como são diversas as formas de se comemorar o natal. Alguns cultuam a um Jesus bebê que está numa manjedoura; outros adoram a um Jesus que está preso na cruz do calvário e outros só querem saber de curtir este período de festas com seus amigos e familiares.

O interessante é que cada tipo de pessoa acima citado tem uma característica importante. Vejamos:

- Jesus nasceu numa estalagem,foi envolvido em panos e posto numa manjedoura(Lucas 2.7). Ele(Jesus) foi um bebê sim,foi uma criança que revelou o grande amor de Deus por nós. Mas Ele cresceu e deixou de ser um bebê.

- Jesus morreu na cruz do calvário para nos salvar (Colossenses 2.13-15). Mas Ele não está mais na cruz, Ele ressuscitou!

-”Mas,se andarmos na luz,como ele na luz está,temos comunhão uns com os outros,e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho,nos purifica de todo pecado.” (1 João 1.7). É interessante como o amor de Deus gera comunhão entre as pessoas. Mas infelizmente, alguns fingem ter essa “comunhão” na época do Natal,e isso acaba se tornando hipocrisia.

Bem, eu quero te estimular a celebrar o nascimento(Isaías 9.6/João 3.16-18), a morte(Isaías 53.4-12), a ressurreição(Mateus 28.2-6) e o amor de Jesus não só na época do Natal, mas a cada dia de sua vida. Sei que às vezes vem o desânimo, as tribulações e outras coisas para nos fazer desistir da carreira que nos está proposta, mas aprenda a correr essa carreira rumo ao céu “olhando para Jesus,autor e consumador da fé” (Hebreus 12.1-14). Nunca se esqueça de que Jesus é autor e consumador da fé, ou seja, você só vai permanecer na corrida se começá-la e terminá-la com Jesus. Porque há muitas pessoas que começam com Jesus, mas que depois de certo tempo, pensam que são “super-crentes” e começam a trilhar sozinhos…Jamais faça isso! Sempre dependa de Deus!

Esse é o meu recado para você e também para mim. Que Deus nos abençoe!

23
Dez
08

Natal: Pagão ou Cristão?

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Não há dúvidas do impacto do natal na sociedade, sempre quando chega o final do ano( e conseqüentemente o natal também), vemos milhares de luzes acesas, juntamente com muitas lojas cantando um Jingle Bell. Todavia, o natal sem sombra de dúvida ainda é motivo de controvérsia. Tanto teológica quanto socialmente. Na parte “social” o que muitas pessoas reduziram esta festa a apenas um gasto de dinheiro.

Porém dentro de um contexto mais cristão, certamente existem implicações teológicas consideráveis a respeito do natal. Será ele uma ordenança bíblica? Ou simplesmente uma festa pagã? É necessário comemorar o natal, ou simplesmente devemos fazer uma festa social em nossa casa? Mas então e a celebração religiosa? Todas essas dúvidas e opiniões divergentes ainda existem hoje.
De um lado há pessoas que classificam o natal como elementos do paganismo da Idade Média, assim também como da tradição Nórdica. Não é necessário o crente celebrar o natal, uma vez que não há ordenança bíblica para isso, sempre vemos a igreja cultuando a Deus no domingo, e não simplesmente em outro dia. Por falar em dia, o dia em que celebramos essa festa nada mais é do que um dia estabelecido baseado no dia de um deus pagão romano. Ainda existe a polêmica sobre a árvore de natal, seria ela um simples emblema pagão e que visava a idolatria? E que dizer do “bom velhinho”? Seria ele o que afirma meu amigo de caminhada Carlos Eduardo, o “satãnoel”? Todas essa afirmações e dúvidas devem ser ponderadas pela sabedoria bíblica, por isso, certas observações devem ser feitas aqui.
1º NÃO DEVEMOS CONSIDERAR O DIA DE NATAL COMO DIA SANTO.
Muitos crentes que há muito estão afastados da casa do Senhor, na maioria das vezes, comparecem a celebrações de natal em nossas igrejas, no geral apenas para ver um parente se apresentar em uma “comédia” ou cantata de natal, porém alguns vão simplesmente porque questão de tradição, por achar bonito, ou pior, por considerá-lo um dia santo. Não existe, além do domingo, um dia santo especificado na igreja. É óbvio que devemos santificar o dia em adoração a Deus, e em certo sentido todo o dia é dia do Senhor, todavia, em nenhum momento me sinto obrigado a ter que celebrar o dia de natal, podendo inclusive celebrar, se eu quisesse, em outra data do que 25 de dezembro.
2º O CRISTÃO NÃO É OBRIGADO A IR PARA A IGREJA NO DIA DE NATAL.Essa segunda consideração está ligada com a primeira, como um natal não é um dia santo, não há necessidade do crente ter a obrigação de ir para a igreja no dia de natal.3º DEVE HAVER LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA NESTA QUESTÃO.Muitos crentes que são a favor da celebração do natal condenam outros que preferem não celebrá-lo por questões teológicas. Deve haver respeito de ambos os lados, e nenhuma consciência deve ser forçada a aceitar alguma imposição, se quiser comemorar o natal, comemore, se não quiser, não comemore.

Mesmo depois de todas essas precauções ainda existem certas restrições ao natal, será que ainda devemos comemorá-lo?

Devemos ter em mente o princípio que esse debate gira em torno da questão da adoração. È comum vermos nas igrejas livres(metodistas, batistas, pentecostais) a visão da adoração como gratidão, e não como obediência(não que a obediência não esteja incluída, o que me refiro é a questão da ênfase, claro que isso está invertido em alguns lugares). Enquanto que nas igrejas de tradição reformada(principalmente calvinistas como presbiterianos e anglicanos da ala baixa), a ênfase está na obediência, e não se deve acrescentar nada que não esteja prescrito nas Escrituras no culto à Deus.
Essas visões vem desde Lutero a Calvino. Lutero cria que nada que estivesse contra as Escrituras poderia ser utilizada no culto a Deus(obviamente com certas restrições), enquanto que Calvino cria que a Escritura era suficiente para a adoração, e todo e qualquer acréscimo era humano, por isso, extremamente perigosos e não confiável, quem estabelece a adoração a Deus é o próprio Deus e não nós. Ou seja, Lutero cria no culto a Deus mais como gratidão, enquanto que Calvino cria que o culto a Deus era obediência.
Dessas duas visões, certamente Calvino é mais bíblico do que Lutero. A Bíblia claramente mostra que a obediência é extremamente aprazível a Deus, além do que, ela nos aconselha a não irmos além do que está escrito e também que Deus é quem estabelece a adoração( 1Co 4:6, Dt 12:38).
Todavia, isso não significa que não tenhamos espaço para oferecer uma adoração de gratidão a Deus, devemos sim agradecer a Deus por seus atos graciosos para conosco, todavia devemos saber como agradecer. Há respaldo bíblico para lembramos o natal e nos alegrarmos? Certamente que há. Como cristãos, devemos lembrar do testemunho da Escritura a respeito de Jesus, e devemos celebrar a morte de Cristo principalmente, pois isso é tanto por mandamento como que por gratidão, enquanto que o natal é simplesmente uma oferta de gratidão a Deus, que pode ser oferecida ou não pelos crentes. Como já falei, se quiser, celebre, se não quiser, não se celebre. Deve-se lembrar também que o nascimento de Jesus foi um momento especial, a ponto da Escritura relatar este fato e ela também relata a alegria dos anjos:

“Ora, havia naquela comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias d enoite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhoros cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais,porque eis aqui vos trago boas novas de grande alegria, que será para todo o povo: pois na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão de exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:
Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens”(Lc 2:8-14)

Não devemos esquecer algo maravilhoso como este, lembrando que é extremamente recomendável que a igreja utilize desse dia para pregar e anunciar a Cristo.

Soli Deo Gloria

07
Out
08

Nós Cremos – um ano depois

Era um domingo. Eu mal tinha voltado para a missão com adolescentes depois de uma complicada transferência malsucedida para a Missão Jovem do templo-central da Assembléia de Deus em Belém(a missão jovem possui costumes, modos e visões de mundo bastante diferentes da missão anterior. Eu gostaria de trabalhar para mudar esse quadro, mas não tive chance). Ao adentrar na porta da igreja, notei um cartaz diferente. A desconfiança bateu, o conteúdo era um tanto quanto peculiar. O templo central iria publicar uma revista de escola dominical própria naquele trimestre. Até aí tudo bem, para mim não parecia nada demais. Porém com conversas com várias pessoas, juntamente com a obtenção de informações importantes, juntamente com uma foto tirada do panfletinho semelhante ao cartaz, eu publiquei, no início de outubro de 2007 o post como se segue:

Um Novo Trimestre: igreja-Mãe publica o manual da Fé

Eu particularmente me encontro muito feliz, pois nesse último final de semana, pela graça de Deus voltei a ser professor na EBd da Missão Com adolescentes, pois havia sido retirado do cargo por motivos que ainda não convém relatar, e também voltei a assumir a supervisão do Jornal da Missão, o NTC. Renan Diniz também se encontra feliz, pois assumiu a liderança da WEB da Missão e Nilton Rodolfo está na rádio. Esperamos glorificar a Deus com tanta coisa boa que ele nos tem dado.
Porém, fui surpreendido ao entrar na igreja ontem. Logo me deparei com algo que pode dar muito o que falar e que já gerou certa polêmica em uma das palestras sobre EBD de meu amigo Carlos Eduardo: a não utilização da revista de escola dominial da CPAD neste último trimestre, substituída pelo Manual de Fé, produzido especialmente para a igreja-mãe. Me alegrei quando vi que poderíamos ter uma certa “Confissão de Fé” onde diminuiria as controvérsias doutrinárias existentes no seio de nossa querida AD (cheguei até a comentar sobre isso com o pastor Altair Germano em seu blog). Porém, ao que tudo indica tal atitude foi em decorrência de um problema existente entre a editora CPAD e a Igreja em Belém, segundo me foi relatado por fontes ligadas a liderança.
Os relatos apresentam certas discrepâncias, mas não podem ser menosprezados. Segundo uma fonte, a controvérsia se deu com o pastor-mor da igreja mãe e, não se sabe ao certo, com o comentarista das lições bíblicas deste trimestre(no caso, o pastor Geremias do Couto) ou se foi com o departamento de educação cristã(no caso, o pastor Esdras está envolvido) , talvez seja certo afirmar que a CPAD ou alguém tendo grandes responsabilidades lá dentro gerou tal “peleja”, porém lembrando, isso está somente no campo da hipótese, não houve uma explicação de nenhum dos lados.
Com a outra fonte, foi repassado que na verdade a igreja em Belém não estaria satisfeita com a revista da CPAD, e que de certa forma a revista a estaria prejudicando-a e até mesmo a atacando com críticas(então nesse caso, sera algo bastante indireto, porém com a carapuça servindo).
Neste momento, devemos buscar não a neutralidade(que é impossível, pois levaria ao menosprezo e o próprio afastamento das questões que nos afetam), mas sim ao máximo de imparcialidade possível antes de tirarmos qualquer conclusão. Seria bom que pessoas ligadas à CPAD ou os próprios responsáveis pela confecção da revista pudessem dar um parecer e explicar de maneira esclarecedora sobre este episódio,talvez nem saibam que ele existe. Assim também como as “pessoas do Norte”. Creio que através dessa atitude da igreja-mãe(que praticamente foi imposta e forçada) pode haver certa “separação” e agravar ainda mais as relações assembleianas “Norte-Sudeste” que existe hoje. Tomara que este manual só seja para este trimestre. Mas a questão permanece: E se não for?
Tomara que não seja nada, mas se for? Que Deus nos dê graça e que os problemas sejam resolvidos
Soli Deo Gloria
No dia seguinte, o blog Geração que Lamba havia recebido comentários em tempo recorde: 12 comentários de vários blogueiros como Gutierres Siqueira, Altair Germano e Paulo Silvano. A matéria rapidamente se espalhou de outras formas pela web e foi divulgada, com permissão, no blog do pastor Altair Germano, oque fez com que a notícia se espalhasse cada vez mais. Foi uma semana difícil. quando eu estava na casa da vovó, recebia um telefonema desesperado de minha mãe, preocupada com o post que publiquei. Mal saí da faculdade, recebi outro telefonema desesperado do líder do jornal da Missão na época, A.K.*, falando que o pastor da missão, que aqui vamos chamá-lo mister Z, havia proibido minha volta à batuta do jornal. Depois disso, recebi as mais diversas pressões e tensões sobre a minha permanência ou não na MCAD, ou até mesmo no templo-central. No domingo seguinte(minha postagem foi feita na segunda-feira), o pastor da igreja em Belém(e presidente também) fez o seguinte esclarecimento:
Neste domingo, dia 07 de outubro, o pastor Samuel Câmara esclareceu o porquê da adoção do Manual de Fé para a escola dominical da igreja em Belém.
Segundo o pastor Samuel, o motivo foi devido ao fato do pastor Geremias do Couto “estar criticando, escrevendo coisas sobre a igreja em Belém, sem conhecê-la e estar a chamando de mundana”, devido a este fato, o pastor e sua equipe mandou uma carta ao pastor Geremias, mostrando o motivo do porque de tal atitude. Pastor Samuel fez questão de salientar que não existia nenhuma heresia no conteúdo da revista, e que no próximo trimestre a igreja VOLTARÁ A UTILIZAR A REVISTA DA CPAD, tranqüilizando assim os membros.
Ainda falando sobre este assunto, o pastor também considerou positiva a utilização do manual da fé, pois assim a igreja consegue ver que não está “presa” a uma determinado procedimento ou mídia, pois há opções, e esse manual foi importante pois há muitos cristãos ainda que não conseguem responder às perguntas sobre suas crenças fundamentais.
Creio que isso confirmou as suspeitas e testemunhos dados pelos pastor Geremias do Couto nos blogs Altair Germano e Geração que Lamba, porém a discrepância maior é que o pastor Samuel disse que, em seus escritos, o pastor Geremias acusou a igreja em Belém, enquanto que segundo o pastor Geremias, o que foi escrito restringia-se a atitude tomada pela chapa do pastor Samuel na última convenção.
Cabe ressaltar também, que em alguns semestres passados, a CPAD publicou uma lição falando sobre as doutrinas fundamentais da fé.
A meu ver, essa atitude ainda assim não foi louvável, justamente por ser forçada e imposta nas ações e consciências dos membros, e também baseia-se em questões pessoais e não bíblicas. Nessas horas, é importante lembrar que para Paulo, apesar de problemas envolvendo seus certos pregadores querendo vanglória, o importante é que o Evangelho estava sendo pregado.
Não estou questionando o caráter de nenhum dos dois personagens principais deste fato. Porém creio que questões pessoais não podem atrapalhar o ensino da Palavra.
Que possamos meditar sobre esses assuntos e orar pela nossa igreja.
Soli Deo Gloria
Infelizmente esse artigo, publicado no recentemente extinto blog Comunicólogos e na União de Blogueiros Evangélicos(UBE), não teve a mesma repercussão de seu antecessor. Pelo menos não em outros blogs, mas recebeu uma faixa de 10 comentários(o anterior contou com um total de 27 comentários). Dos blogueiros que se manifestaram, muitos tiveram uma atitude crítica com relação ao ato da igreja em Belém, outros me preveniram a tomar muito cuidado com este assunto, outros tentavam clamar por paz.
Não há dúvida do impacto que este fato causou. Muitos podem questionar por que isso rendeu tanta repercussão. A resposta é simples: A igreja em Belém, quer muitos admitam ou não, é uma referência. Foi em Belém que tudo começou. Outro fator importante: este fato era  apenas a ponta do iceberg de uma cruel briga e disputa política que vem sendo travada há alguns anos na atual AD brasileira. À beira de seu centenário,o cenário político das convenções assembleianas virou um verdadeiro ringue eleitoral e disputa pelo poder, onde pouco saem ilesos nesta batalha. Alguns querem pôr panos quentes, outros, são tão políticos que mal dá para saber o que é fato e o que é ficção. Dentre as várias facções que integram este quadro e defendem com intensa paixão seus comandantes está a igreja em Belém, temida por uns, odiada por muitos e idolatrada por outros. Nessa guerra de trincheiras, quem mais sofre são os membros das congregações com as decisões tomadas à força pelos caciques** do clero. Quando a decisão é tomada, a afirmação é: ” A igreja em Belém tomou a decisão…”, quando a decisão é questionada, a resposta é: ” isso são coisas altas demais para você questionar, isto está além de você, não se meta…”***. Todavia, isto não é somente na igreja em Belém, e isso não significa que toda a igreja em Belém é corrupta e não possui acertos.  De uma boa parcela de pastores que conheço, muitos possuem um coração sincero e uma busca por Deus, além de um verdadeiro testemunho cristão. Infelizmente isso é pouco visto devido à grandes pelejas dos caciques maiores e da paixão infantil que muitos apresentam por eles. Tal caciquismo acaba por ser um flagelo na consciência dos membros, que mal podem expressar sua opinião. Já escutei a afirmação que eu gosto de destruir o meio em que eu vivo, e outros afirmaram que desejo o mal para o  atual presidente da AD Belém. Primeiramente gostaria de dizer que se destruir o meio em que se vive é apontar suas mazelas com o intuito de ver uma possível mudança para melhor, então se pode dizer que sou um “demolidor”, agora se isso significa que eu na verdade, nada mais quero do que ver o circo pegar fogo, justamente por estar compromissado com terceiros, é uma inverdade. É muito fácil criticar quem está de fora da guerra, criticar por pertencer a outra causa ou partido, fácil é ver o cisco no olho dos outros, difícil é tirar a trave do nosso! Creio que antes de atentarmos para os outros, devemos verificar como estamos pensando , vivendo e refletindo sobre estas delicadas questões. Com relação ao presidente, nunca busquei ser seu difamador, ou expor de forma cínica seus equívocos. Pelo contrário, o desejo de meu coração é uma mudança de atitude e procedimento, em alguns aspectos morais importantíssimos, mas  também e principalmente  certas questões doutrinárias ainda mais  importantíssimas em nosso presidente para a saúde de nossa denominação. Não julgo o seu coração, mas sim suas atitudes.  Meu compromisso é( e espero que continue sendo, se Deus quiser, por Sua graça) com a Palavra de Deus, e não com politicagens de homens.No GQL, sempre busquei me pautar palavra de Deus e espero que meus amigos continuem fazendo o mesmo, ali foi o espaço que Deus nos deu para podermos expressar o nosso coração, à luz da orientação de Sua doutrina, a Bíblia sagrada.
Depois de um ano, cada vez mais vejo a soberana mão de Deus na minha vida**** e só tenho a agradecê-lo e glorificá-lo por tudo.
Soli Deo Gloria.
* O Nome não foi divulgado para preservar a pessoa existente.
** O termo foi originalmente cunhado pelo blogueiro Gutierres Siqueira
*** Tais frases não vieram da boca do presidente, e na verdade, o foco aqui  neste trecho são outros obreiros envolvidos, o que não significa que o presidente fuja desse contexto.
****Grácas à Deus não sai do jornal , e hoje também sou professor de EBD.
18
Ago
08

Maçonaria e Fé Cristã: Incompatíveis?

É bastante difícil traçar a origem da Maçonaria, algumas correntes afirmam que ela teve inicío no templo de Salomão, todavia, os cristãos rejeitam tal versão e até mesmo maçons, pois não existe prova histórica que comprove isso – para os cristãos, essa afirmativa também não está abalizada teologicamente – então, segundo vários historiadores, a maçonaria teve inicio no final da idade média, com organizações feitas por pedreiros na França( o próprio nome maçon, em francês, significa pedreiro). Rapidamente, a maçonaria ganhou adeptos e está espalhada em praticamente quase todo o mundo. Por muito tempo taxada como sociedade secreta, hoje ela prefere ser chamada de sociedade discreta,pois qualquer um pode livremente saber a respeito. Afirma que não mantém nenhum vinculo com religião, por isso é perfeitamente possível ser budista, islâmico, cristão e maçon. É uma sociedade marcada por um alto rigor moral, beneficiente, filantrópica e altamente preocupada com o bem estar dos “irmãos” da ordem e ligada com questões político-sociais. Entre seus adeptos destacam-se Bejamin Franklin, George Washigton, Mozart e o presidente Roosevelt. Afirma-se que até mesmo o ator Charles Chaplim era um Maçon. Então é importante perguntarmos: Podemos ser Maçons e cristãos ao mesmo tempo? É provável que muitos dentro da igreja evangélica – em particular as igrejas tradicionais – digam sim a resposta, afinal ainda não se viu nada incompatível até o momento. Entretanto, será essa toda a verdade? Nada mais e nada menos? Óbvio que não.
Dentro dessa sociedade existem um conjunto de regras chamados “Os Ladmarks”, por onde o maçon deve ser guiado por toda a vida. O landmark número 5 afirma:”A Maçonaria impõe a todos os seus membros a prática exacta e escrupulosa dos ritos e do simbolismo , meios de acesso ao conhecimento pelas vias espirituais e iniciáticas que lhe são próprias:.” e o número 6 diz:”A Maçonaria impõe a todos os seus membros o respeito das opiniões e crenças de cada um:. Ela proíbe-lhes no seu seio toda a discussão ou controvérsia, política ou religiosa:. Ela é ainda um centro permanente de união fraterna , onde reinam a tolerante e frutuosa harmonia entre os homens, que sem ela seriam estranhos uns aos outros:.” Cabe-se perguntar: isso é biblico? A frase do landmark 5 com certeza é estranha. O que são os “símbolos” e “Vias espirituais”? No ritual de iniciação, é necessário que o iniciante passe das “trevas” para a “luz” da maçonaria. Como assim? A maçonaria é luz? Não foi por acaso o próprio Senhor Jesus disse que : “Eu Sou a Luz do mundo, quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”(Jo 8:12). E o que dizer do Landmark 6 quando ele afirma que é proibida qualquer controvérsia religiosa dentro da maçonaria, ou seja, converter algum “irmão” maçon judeu está fora de questão! É extremamente proibido! Então como poderemos cumprir o ide de Jesus( Mc 16:15)?, a questão se complica ainda mais quando se observa o detalhe da maçonaria ser uma sociedade secreta, onde o membro não pode contar o que se passa nas reuniões. Então onde fica o principio bíblico que Jesus nos ordenou fazer(Mt 10:27)? A questão se complica ainda mais quando vemos que o “rito tradicional” – existem vários ritos na maçonaria, porém será abordado aqui apenas o tradicional escocês e o rito de York – possui uma filosofia abertamente deísta, ou seja, a crença que Deus apenas criou o universo e o deixou com leis naturais para guia-lo e ao homem deu a lei moral. esse é o Deus da Bíblia? Não é o Senhor um Deus que intervém e se preocupa com o homem? Esse deus deísta da maçonaria é chamado de GADU( Grande Arquiteto do Universo) e representa todo os deuses existentes. Jesus nada mais é que um grande homem como maomé e buda, que absurdo! Jesus é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores(Ap 19:16)! O próprio Deus, UM com o Pai e o Espirito Santo(1Jo 5:7). Existe outro rito na maçonaria, chamado de rito de York, esse, por sua vez, é teísta, crê na intervenção divina, entretanto ainda é mais pagão do que o escocês. Antes que se chame Gadu, o deus do rito de York se chama JABULOM(“Ja” de Javé, ou Jeová, Bu de baal, om de osiris,deus do sol egipicio). Indicando claramente um sincretismo brutal e incompatível com a fé cristã. A maçonaria tem vínculos com o misticismo esotérico, além de estar fortemente influenciada pela filosofia pagã da História Antiga, só isso nos faz pensar seriamente se realmente é lícito participar de tal coisa destituída de respaldo bíblico-teológico.
A Igreja e a Maçonaria.
Infelizmente poucos eram os irmãos capacitados para ver essa praga no corpo de Cristo, pelo menos há alguns anos atrás. A maçonaria entrou fortemente nas igrejas tradicionais. Nos Estados Unidos, até o Seminário Batista do Sul é lotado de maçons, muitos missionários, não somente batistas, como também metodistas, anglicanos, luteranos e principalmente presbiterianos maçons vieram para o Brasil com o intuito de evangelizar na época do império. A igreja presbiteriana, sem dúvida, foi a mais afetada por tal praga desde o início, pois se envolveu com a maçonaria com o propósito de conseguir a liberdade religiosa no Brasil. Até hoje existem diversos maçons confessos dentro da denominação e somente em tempo recente que o Supremo Concilio da igreja se manifestou contra essa questão, porém não ordenou que os presbitérios aplicassem a disciplina nos membros envolvidos com as lojas maçônicas.
Uma pesquisa recente divulgou que há maçons em toda as igrejas evangélica no Brasil. que possamos estar alertas para os falsos obreiros e se possível, tirando-os verdadeiramente das trevas existentes nessa sociedade “discreta”, caso isso não seja possível, afastemo-nos dos tais.(Tt 3:10)
* As citações desses Landmarks foram extraídas do site português “Portal Macónico”, por isso existem diferenças na ortografia.
link: http://www.maconaria.net/index.shtml
Esse Foi um dos primeiros artigos publicados no blog Geração que Lamba, no início de 2007. Em breve, Nilton Rodolfo publicará um artigo sobre a experiência que teve ao visitar uma Loja Maçônica. Aguarde as Novidades do Blog geração que Lamba neste segundo semestre de 2008.
12
Jan
08

Geração Perdida ou Perdendo uma Geração?

Hoje é muito comum dizer que essa é uma geração perdida, mas por que será? Será que não estamos dando mais ênfase para outras coisas menos para a educação das crianças, a palavra de Deus diz em Pv. 22.6, que devemos ensinar a criança no caminho em que deve andar ,pois, até quando ela for adulta não esquecerá desses ensinamentos, mas deixamos de ensinar o correto, ensinar a palavra de Deus, e deixamos a TV ou qualquer outra leitura nortear a vida dessas crianças. Como um leitor e telespectador desses do gênero queria ressaltar que não há nenhum desenho por mais inocente que pareça que não tenha uma invocação ao demônio, magia negra, idolatria, desvio de conduta, caráter, super heróis que são demônios e até negam a existência de Deus.
Pensei já ter visto de tudo mais nova arma de satanás é uma historia que já chegou nas bancas,que conta a historia de um adolescente que têm dois grandes sonhos, o primeiro de ter uma banda famosa e o segundo de ter uma namorada, até ai tudo bem, mas com o passar da história ele consegue uma banda só que em vez de uma namorada, ele consegue um namorado (nesse mangá a temática é a descoberta da sexualidade, mais para mim é a distorção do que Deus quer para nossas vidas).
Vejamos o que as crianças estão falando:
- Meu sonho é ser como o Naruto! (tem um demônio aprisionado no seu corpo)
- Quero ser como o Goku,o homem mais forte do universo! (é mais forte até mesmo que um deus)
- Queria ser como o MadinVegete (estava possuido por um demônio – madin é demônio)
- Queria ter o poder da Sakura! (aprisiona cartas que contém magia negra)
- etc
Frases assim são ditas todos os dias por crianças, adolescentes, jovens e até adultos, querendo ser algum personagem de uma história de Mangá ou Anime. O que menos se escuta é quero ser como Sansão, como Paulo, como Ester, como Moisés. Isso ocorre porque deixamos de ler um livro sem igual, um livro que tem amor, guerra, terror, drama, resumindo, tudo o que você quiser temos nele e não estou falando de nada novo no mercado estou falando do livro que tem as palavras de Deus – A BÍBLIA SAGRADA.
Devemos deixar de dizer que nossas crianças não estão preparadas para entender teorias Bíblicas ou algo mais profundo, pois se nós não ensinarmos, o que ela está lendo e assistindo está recheado de filosofia oriental. E vamos parar de dizer que a geração está perdida e vamos assumir nossas culpas e repensar que ela está se perdendo por nossa culpa. E que possamos investir mais em nossas crianças, pois elas são o futuro de nossas igrejas e são almas de grande valor para Deus. E vamos procurar saber o que elas estão assistindo, pois lembremos do que Paulo disse em Filipenses 4. 8 “Quanto ao mais, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo o que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude, se há algum louvor, nisso pensai.” .A PAZ DE CRISTO
Artigo pouco conhecido de Carlos Eduardo. na época em que foi publicado, o blog geração que lamba estava “em chamas” devido ao post anterior, que relatava a controvérsia existente na Assembléia de Deus em Belém com relação à revista de escola dominical, publicada pela cpad no último trimestre de 2007.
12
Jan
08

Vivendo uma Vida de Hipocrisia( baseado em Mt 23:25-28)

Artigo feito por Nilton Rodolfo, “fundador” da GQL.
Existem muitos tipos de “crentes hoje em dia, diversos tipos de igrejas e liturgias. Mas existe um grupo de pessoas que é mais famoso entre os outros, são os chamados “irmãos de fogo”, os quais são considerados os “pentecostais”.
Infelizmente, no meio do trigo sempre tem joio, ou seja, em meio aqueles irmãos que realmente são cristãos fervorosos por meio da graça de Deus superabundando em suas vidas existem aqueles que possuem um estereótipo de cristão, têm uma Bíblia grande, constantemente dão glória a Deus no cultos, entram no “mistério”, etc…mas que infelizmente são só falsidade(Mt 7:15), são verdadeiros sepulcros caiados.
E agora? O que fazer para discernir entre o cristão verdadeiro e o falso profeta? Jesus nos orienta em relação a isso e nos chama à atenção para a “análise dos frutos”(Mt 7:16-20).
É impossível alguém ter caracteristícas de um verdadeiro cristão, como amor, alegria, paz, temperança, etc, se ele não tiver o Espirito Santo habitando em sua vida, pois é Ele que gera em nós o Seu fruto( Gl 5:22-25).
Jesus usa uma metáfora nos comparando com com a vara da videira e Ele com a videira verdadeira(Jo: 15:4-6) ; não tem como alguém dar bons frutos se não estiver em comunhão com Deus, então implica que uma pessoa que não tem comunhão com Deus não é um verdadeiro cristão, e por consequência é alguém que vive de hipocrisia. Também é impossível alguém não dar bons frutos se estiver em comunhão com Deus, isso implica que um verdadeiro cristão é aquele que tem comunhão com Deus e vive, consequentente, o fruto do Espirito. É impossível ter essas coisas e não mudar de vida, pois isso é um processo de transformação que não podemos conter(Se estivermos mantendo nossa salvação,pois salvação se perde).
Outro aspecto que deve ter a sua atenção é o aspecto bíblico. Muitas pessoas andam fazendo certas coisas por aí, que não têm o minimo de apoio no Livro Sagrado para ser feito. Hoje em dia temos tudo quanto é tipo de adoração; temos adoração profética, adoração levítica, adoração extravagante, etc..também temos a “unção dos quatro seres”, a unção dos “Street Figthers”[ Me refiro ao tipo de pregador que gosta de jogar bolas de fogo em pessoas, afirmando estar cheio do Espírito, o que parece magia do famoso jogo de videogame], entre outras heresias(parece engraçado, mas infelizmente é verdade). Em nenhum momento quero limitar a manifestação do Espirito Santo em nossas vidas, só estou falando de meninices que existem em muitas igrejas, onde o povo pensa que tudo “vem de Deus”. Por favor, vamos discernir o que é de Deus e o que não é!(1Tm 4:1,2; 2 Tm 4:2-5). Infelizmente também temos muitos falsos profetas que pregam o que acham que é certo, mas pela Bíblia tal ensinamento é errado; que procuram agradar ao povo, lhes dizendo o que eles querem ouvir, e não o que eles precisam ouvir de Deus( Jo 7:24).
Viver uma vida de hipocrisia é afirmar uma coisa e não vivê-la, assim também como saber que está contra a vontade de Deus e dizer que está de acordo com ela. Está associada a uma vida baseada em suas próprias convicções, sem procurar o ensinamento bíblico; é ter uma vida baseada em suas próprias forças, ou seja é ter uma vida independente de Deus. Sabemos muito bem, que sem Deus em nossas vidas, não passamos de pecadores condenados à morte eterna, mas se estivermos em Deus por meio de Jesus e de Seu sangue que nos traz a redenção, ainda seremos pecadores, mas pecadores que têm acesso ao perdão de Deus,debaixo de Sua graça e por isso podemos perseverar até o fim.
Se você estiver vivendo uma vida hipócrita, seja humilde e reconheça os seus erros perante Deus, e Lhe peça perdão e graça para que a salvação seja possível. Leia a Bíblia, pois é ela que vai te orientar e ore, pois é pela oração que você estará mais íntimo de Deus, sem deixar de vigiar. Abraços. Deus nos perdoe.
12
Jan
08

Ebd: O Lar dos Mestres da Palavra

O pão da padaria exalava um cheiro bom e gostoso naquele domingo, a igreja era simples e humilde, porém os professores por demais aplicados ao darem à aula. Eu ainda não era crente, mas graças a Deus, através daqueles homens, eu consegui começar a entender quem era o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Para mim, em minha mentalidade não crente e conhecendo muito pouco da igreja, aqueles homens eram como pastores. Hoje, como cristão, eu pergunto: Será que podem ser considerados mestres? Veremos. Até hoje existe certa controvérsia se há ou não o ministério oficial na igreja dos mestres, ou “doutores” como está em alguns textos de traduções clássicas da Bíblia. Boa parte deste debate gira principalmente em torno de um texto bíblico: Efésios 4:11. No texto em apreço, lemos o seguinte: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”. Muitos exegetas afirmam que ao contrário dos apóstolos, profetas e evangelistas, os dois termos, “pastores” e “doutores” estão intimamente correlacionados, por isso, não são dois ofícios distintos, mas duas atividades referentes ao mesmo ministério: o de governo da igreja. Para esses teólogos, a função do ensino está restrita aos líderes eclesiásticos, ou seja, aos ministros da Palavra, no caso seriam os pastores. É verdade que existe certo sentido nesta afirmação. Se notarmos bem vemos realmente que há uma grande ligação entre estes dois termos, enquanto que o apóstolo afirma que uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, ele quebra este ritmo e ao invés de afirmar e outros para pastores e outros para doutores ele afirma: “e outros para pastores e doutores”. Porém este assunto não está fechado e para falar a verdade, muitos teólogos importantes, como Calvino, afirmam o contrário. Para ele, quando o apóstolo afirma que existem pastores e doutores ele está realmente fazendo uma correlação, porém os ofícios são distintos. Ou seja, tanto pastor quanto o mestre tem a mesma função, de serem ministros da Palavra.
Pastores e doutores (algumas traduções, “mestres”, na King James Version está “professores”) são ofícios legítimos e distintos entre si. Todo o pastor é um doutor, mas nem todo o doutor é um pastor. Porém será que essa explicação é válida? Por mais que tenhamos um compromisso de ser um professor de escola dominical, nosso dever é de obedecer a Palavra de Deus, quer ela diga sim ou não para um determinado assunto. É necessário verificarmos outros textos bíblicos que tratam dessa questão. Afirmações como as de Paulo em 1 Tm 6:3 parece estar se referindo aos pastores que ensinavam heresias para os fiéis,o que parece abalizar ainda mais as colocações dos exegetas e teólogos que defendem um só oficio pastor-mestre.
Porém há textos que utilizam a Palavra mestre independente da palavra pastor, como por exemplo em Tiago 3:1, onde a advertência quanto aos perigos de um falso ensinamento pode ser dado com as melhores intenções. Outro texto que mostra a palavra mestre independente do ofício pastoral é Hebreus 5:12 : “ Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.” Apesar do texto não citar a o termo pastores, o autor pode star se referindo ao termo mestres no informal, onde todos devem cumprir o ide de Jesus registrado em Mateus 28:19-20. Nos tempos do Antigo Testamento e até mesmo no tempo de Jesus, o termo mestre era separado e independente, como demonstra o salmo 119:99. Diante dessas afirmações, a questão ainda permanece: é lícito existir o ofício de mestre nos dias de hoje? Talvez um pequeno versículo da Bíblia ajude a sanar, ou pelo menos no orientar nesta delicada questão: o texto de 2 Timóteo 1:10-11. O texto nos informa: “E que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho; para o que fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios”(ênfase minha) Existem duas coisas importantíssimas nesses versículos, em especial o onze. Muitos dos que afirmam que o ensino deve estar unicamente associado ao pastor (no sentido formal e Oficial) também afirmam que a pregação deve estar muito mais (querendo dizer praticamente que deve estar unicamente) ligada ao trabalho pastoral. Porém não é isso que vemos nesta afirmação. Ao contrário, O APÓSTOLO FAZ CLARAS DINSTINÇÕES ENTRE PREGAÇÃO E ENSINO, colocando-os distintos e independentes do serviço pastoral, lembrando que também pode estar incluído no sentido de Apóstolo, uma vez que os apóstolos eram autoridades máximas e também poderiam ser considerados presbíteros (1 Pe 5:1-2). Isso mostra que também o oficio de pregador pode existir, ainda que seja algo um tanto quanto independente do oficial ministério eclesiástico, tendo que passar apenas por dois processos, a certeza do chamado e a autorização da igreja (onde se levaria em conta uma avaliação segundo os princípios bíblicos). É importante fazer um paralelo com Efésios 4:11. A luz destes dois textos, fica ainda mais clara e autentica a distinção de Calvino, mostrando que apesar de estarem intimamente ligados, há dois ofícios distintos, com responsabilidades semelhantes: Ensinar a Palavra de Deus, assim também como a tarefa de pregador. Os requisitos básicos podem ser encontrados nos textos onde falam do ministério pastoral e diaconal, onde o primeiro está intimamente ligado aos outros dois ministérios: 1 Tm 3 e 2Tm 4. Depois de verificarmos e concluirmos a existência e necessidade do oficio dos mestres, devemos perguntar: e a EBD com isso? A escola dominical é importantíssima, pois é aí onde os mestres podem exercitar seu ofício, é o lugar ideal, é lar onde os mestres se encontram e interagem com seus alunos, e com certeza de certa maneira cumprindo o ide de Jesus de ensinar aguardar todas as coisas que ele tem ensinado. É importantíssimo que os mestres da palavra busquem sensibilizar sua congregação da importância da EBD, que está cada vez mais sofrendo, em muitos lugares uma escassez considerável.
Hoje, muitos perdem seu tempo indo a shows de pop-stars ditos evangélicos, independente do horário ou lugar. Enquanto que para se levantar cedo para ir para EBD, as coisas complicam e muitos não querem vencer o sono, principalmente meus queridos amigos e contemporâneos jovens e adolescentes. Porém este problema não se limita somente a eles, mas também a muitos adultos. É verdade que existe professores negligentes e que infelizmente não buscam passar um bom conteúdo para o estudante. Outros nem se preparam com um bom planejamento de aula, afirmando, de forma cínica e carnal que “vai fluir na hora”, “o Senhor me dará a Palavra certa” entre outras afirmações com um teor de misticismo anti-bíblico. Que possamos lembrar da vocação em que fomos chamados e também lembrando da advertência de Tiago antes de iniciar um tão profundo, responsável e prazeroso trabalho ministerial, no dia do Senhor, edificando a casa do Senhor, o Corpo de Cristo. Na Palavra do Senhor.
AMÉM.
Soli Deo Gloria
11
Jan
08

Análise Sobre o Artigo: “A Expiação e a Cura Divina”, do Pastor José Gonçalves.

Recentemente foi publicado, na revista Obreiro, editada pela CPAD, um artigo do pastor José Gonçalves, membro da Comissão de Apologética da Convenção Geral das Assembléias de Deus(CGADB), intitulado “A Cura Divina e a Expiação”, no qual defende a tese que na expiação Jesus levou não somente nossos pecados, mas também nossas doenças, na cruz do calvário.
Logo no inicío do artigo, o pastor José afirma: “Em tempos recentes, a doutrina bíblica da cura divina vem sendo duramente atacada, em especial aquela vertente que diz que a expiação de cristo proveu cura para o corpo.” pouco depois dessa afirmação, o pastor Gonçalves diz que o ataque provém de apologistas da fé cristã que combatem a doutrina da confissão positiva, que prega a doutrina que ao morrer, Jesus levou nossas doenças, por isso o crente não deve ficar doente. O pastor José deixa implicíto que não segue esse modismo.Entretanto diz:”… a cura divina ficou associada a esse movimento.” será que isso é verdade? Veremos mais adiante.
Depois dessa estranha afirmação, o pastor contesta os teólogos Paulo Romeiro e John Sttot, que afirmam em seus respectivos livros Supercrentes e a Cruz de Cristo que na expiação, Jesus somente levou nossos pecados. Stott é mais lembrado por José, pois discorre um pouco mais desse assunto do que Romeiro também em outro livro intulado A Cura de Cristo.
Para que possamos melhor esclarecer essa questão, é necessário termos em mente que todo esse assunto gira em torno de dois livros(em especial dois capítulos) da Bíblia: Isaías 53:4-5 e Mateus 8:14-17. Em Isaías vemos o sofrimento do Messias: ” verdadeiramente ele levou sobre si as nossas enfermidades, e a nossas dores levou sobre si…”(Is 53:4). Já em Mateus, vemos o Apóstolo comentar sobre as curas que Jesus realizou: ” E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemonhinhados e ele com sua palavra expulsou deles os espirítos, e curou todos os que estavam enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças”.
Tanto Stott quanto Romeiro afirmam que Mateus estava se referindo ao ministério de curas de Jesus, no qual Ele prova ser o Messias, entretanto, Gonçalves não concorda com tal interpretação e cita diversos nomes que têm(ou tinham, pois já morreram) a visão que a cura divina existia na expiação, como Melacton Jacubus, A. A. Hodge, Franz Delizch, entre outros.
O pastor cita um trecho de Melacton Jacobus: ” Aquele que aniquilou ‘pelo sacrificio de Si mesmo o pecado’ e carregou ‘ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nosso pecados’, resolveu também aniquilar as consequências do pecado”.
Depois cita Keith Baley: ” a crença no fato de que a cura se acha ligada a expiação não implica necessariamente em que todos os crentes devam gozar de perfeita saúde, assim como a crença na salvação através da expiação não implica em que crêem manifestarão total santidade”.
Os argumentos apresentados são extremamente fortes e convincentes, então necessariamente estão corretos. Ou será que não? Bem, primeiramente devemos analisar com calma tal questão. Que pela misericórdia de Deus com auxílio do seu Espiríto, possamos extrair o verdadeiro significado dos textos apresentados.
Analisemos primeiramente o texto de Isaías. Se atentarmos um pouco mais para o contexto dos versículos apresentados, notamos que o foco em questão não são as doenças, mas o pecado. Note o que afirma o versículo cinco: ” mas ele foi ferido pelas nossas tranguessões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. Atente que fomos sarados pelo sacrifício de Cristo. Ele foi ferido pelas nossas tranguessões, ou seja, Cristo estava na Cruz por causa de nossos pecados, mas então, segundo o versículo anterior, ele tomou nossas doenças? Então na verdade o castigo de Jesus foi ficar doente e morrer? É claro que não. Termos tal opinião é algo extremamente absurdo. Então do que fomos curados? A reposta já foi dita: do pecado. Como pode ser? A resposta está no contexto e também na palavra hebraica traduzida por “enfermidades”, siginifica dentro do contexto do livro de Isaías “doenças espirituais”, ora, o que significam essas doenças, ou melhor, o que são? a resposta está no versículo seguinte: “…as nossas transgressões…as nossas iniquidades”. O versículo dez afirma que Deus o fez enfermar, o que pode parecer estranho, mas na verdade significa que Jesus estava sendo tratado como pecador em nosso lugar, recebendo a condenação que nós deveríamos receber. Jesus estava sendo “ferido de Deus e oprimido”. Isso é confirmado com a seguinte afirmação ainda no versículo dez:”quando a sua alma se puser por expiação do pecado…”, o versículo onze afirma:”…justificará a muitos,, porque as iniquidades deles levará sobre si.” esse “levou” refere-se ao pecado. tendo em conta essas afirmações, é só fazer um paralelo disso com o versículo cinco, que nos leva a concluir o que Jesus levou foram os nosso pecados e não as nossas doenças.
Mas o que dizer sobre Mateus? Primeiramente devemos notar que ao citar o profeta, Mateus o faz muito antes da expiação. Note também que o texto diz que Jesus “…Com sua palavra expulsou deles os espiritos”. Será que na expiação, Jesus também levou a possessão demoníaca? longe de nós tal pensamento! Ora Mateus mostra que ao curar enfermos e expulsar demônios, Jesus mostrava ser o messias, que curaria nossas doenças espirituais, algo que foi realizado na cruz do calvário.
Claramente vemos que Melacton está equivocado. Por que Jesus levaria as consequências do pecado se ele já estava levando o próprio pecado? Quando há ausência do pecado, há ausência das doenças. Se Adão não tivesse pecado, jamais haveria doença. Foi por causa do pecado no mundo que começamos a ficar doentes. Jesus, ao morrer, redimiu o homem tanto na alma e no espiríto quanto no corpo. Por isso havemos de ressucitar e gozaremos de plena saúde(1 Co 15:42-44), isso já poderia ser feito se fossemos plenamente santificados, porém o processo é lento e gradual. Entretanto, cremos que Jesus levou nossos pecados, somos salvos e o pecado não tem dominío sobre nós. Se Jesus levou nossas doenças juntamente com os nossos pecados, é claro que elas não teriam domínio sobre nós. ficaríamos doentes, porém uma oração pedindo cura resolveria tudo, assim como oramos para que Deus perdoe os nossos pecados e somos perdoados imediatamente, ficaríamos curados de maneira instantânea com apenas um pedido de cura.
É necessário afirmar que nem Romeiro nem Stott negam a cura divina, muito menos eu. Creio sim que Deus cura hoje, e pode fazer a hora que quiser. Por isso a afirmação do pastor José de que a cura divina está sendo associada a confissão positiva não procede, pelo menos com relação a mim, Stott e Romeiro( e tantos outros).
Por mais que o pastor José não aceite, essa doutrina leva ao mesmo resultado prático do que a confissão positiva prega: sempre seremos saudáveis. Infelizmente isso parece se confirmar com o comentário final do pastor sobre este assunto: “Não entendemos como Jesus pôde levar sobre si os nossos pecados, sendo ele imaculado, mas cremos na Palavra”. Será que ele está firmando que Jesus literalmente “Se fez pecado” por nós? Se essa for a conclusão, o pastor cai no mesmo erro da confissão positiva, não entendendo que na verdade o sacricío de Cristo foi uma expiação substitituitiva, ou substituição representativa, onde um inocente leva a culpa de um transgressor, tipificada nos sacrifícios de animais no Antigo Testamento.
Deus Cura hoje! Mas que ele nos livre de acharmos que sempre seremos saudáveis. As vezes a doenças estão sobre nós para a glória de Deus, outras vezes ela aparece pois Deus, em Sua Sabedoria e Soberania tem o propósito de nos santificar. Deus é soberano! Caso ele não nos cure, Sua graça nos Basta!(2 Co 12:9)
Nota atual: este artigo foi um dos primeiros a receber comentários, sendo que este fora comentado por meu grande amigo e irmão em Cristo Gutierres Siqueira. Houve certa resposta de alguém que afirmava ser o pastor José Gonçalves, mas até hoje há dúvidas com relação a isso.