Arquivo para Janeiro 11th, 2008

11
Jan
08

Análise Sobre o Artigo: “A Expiação e a Cura Divina”, do Pastor José Gonçalves.

Recentemente foi publicado, na revista Obreiro, editada pela CPAD, um artigo do pastor José Gonçalves, membro da Comissão de Apologética da Convenção Geral das Assembléias de Deus(CGADB), intitulado “A Cura Divina e a Expiação”, no qual defende a tese que na expiação Jesus levou não somente nossos pecados, mas também nossas doenças, na cruz do calvário.
Logo no inicío do artigo, o pastor José afirma: “Em tempos recentes, a doutrina bíblica da cura divina vem sendo duramente atacada, em especial aquela vertente que diz que a expiação de cristo proveu cura para o corpo.” pouco depois dessa afirmação, o pastor Gonçalves diz que o ataque provém de apologistas da fé cristã que combatem a doutrina da confissão positiva, que prega a doutrina que ao morrer, Jesus levou nossas doenças, por isso o crente não deve ficar doente. O pastor José deixa implicíto que não segue esse modismo.Entretanto diz:”… a cura divina ficou associada a esse movimento.” será que isso é verdade? Veremos mais adiante.
Depois dessa estranha afirmação, o pastor contesta os teólogos Paulo Romeiro e John Sttot, que afirmam em seus respectivos livros Supercrentes e a Cruz de Cristo que na expiação, Jesus somente levou nossos pecados. Stott é mais lembrado por José, pois discorre um pouco mais desse assunto do que Romeiro também em outro livro intulado A Cura de Cristo.
Para que possamos melhor esclarecer essa questão, é necessário termos em mente que todo esse assunto gira em torno de dois livros(em especial dois capítulos) da Bíblia: Isaías 53:4-5 e Mateus 8:14-17. Em Isaías vemos o sofrimento do Messias: ” verdadeiramente ele levou sobre si as nossas enfermidades, e a nossas dores levou sobre si…”(Is 53:4). Já em Mateus, vemos o Apóstolo comentar sobre as curas que Jesus realizou: ” E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemonhinhados e ele com sua palavra expulsou deles os espirítos, e curou todos os que estavam enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças”.
Tanto Stott quanto Romeiro afirmam que Mateus estava se referindo ao ministério de curas de Jesus, no qual Ele prova ser o Messias, entretanto, Gonçalves não concorda com tal interpretação e cita diversos nomes que têm(ou tinham, pois já morreram) a visão que a cura divina existia na expiação, como Melacton Jacubus, A. A. Hodge, Franz Delizch, entre outros.
O pastor cita um trecho de Melacton Jacobus: ” Aquele que aniquilou ‘pelo sacrificio de Si mesmo o pecado’ e carregou ‘ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nosso pecados’, resolveu também aniquilar as consequências do pecado”.
Depois cita Keith Baley: ” a crença no fato de que a cura se acha ligada a expiação não implica necessariamente em que todos os crentes devam gozar de perfeita saúde, assim como a crença na salvação através da expiação não implica em que crêem manifestarão total santidade”.
Os argumentos apresentados são extremamente fortes e convincentes, então necessariamente estão corretos. Ou será que não? Bem, primeiramente devemos analisar com calma tal questão. Que pela misericórdia de Deus com auxílio do seu Espiríto, possamos extrair o verdadeiro significado dos textos apresentados.
Analisemos primeiramente o texto de Isaías. Se atentarmos um pouco mais para o contexto dos versículos apresentados, notamos que o foco em questão não são as doenças, mas o pecado. Note o que afirma o versículo cinco: ” mas ele foi ferido pelas nossas tranguessões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. Atente que fomos sarados pelo sacrifício de Cristo. Ele foi ferido pelas nossas tranguessões, ou seja, Cristo estava na Cruz por causa de nossos pecados, mas então, segundo o versículo anterior, ele tomou nossas doenças? Então na verdade o castigo de Jesus foi ficar doente e morrer? É claro que não. Termos tal opinião é algo extremamente absurdo. Então do que fomos curados? A reposta já foi dita: do pecado. Como pode ser? A resposta está no contexto e também na palavra hebraica traduzida por “enfermidades”, siginifica dentro do contexto do livro de Isaías “doenças espirituais”, ora, o que significam essas doenças, ou melhor, o que são? a resposta está no versículo seguinte: “…as nossas transgressões…as nossas iniquidades”. O versículo dez afirma que Deus o fez enfermar, o que pode parecer estranho, mas na verdade significa que Jesus estava sendo tratado como pecador em nosso lugar, recebendo a condenação que nós deveríamos receber. Jesus estava sendo “ferido de Deus e oprimido”. Isso é confirmado com a seguinte afirmação ainda no versículo dez:”quando a sua alma se puser por expiação do pecado…”, o versículo onze afirma:”…justificará a muitos,, porque as iniquidades deles levará sobre si.” esse “levou” refere-se ao pecado. tendo em conta essas afirmações, é só fazer um paralelo disso com o versículo cinco, que nos leva a concluir o que Jesus levou foram os nosso pecados e não as nossas doenças.
Mas o que dizer sobre Mateus? Primeiramente devemos notar que ao citar o profeta, Mateus o faz muito antes da expiação. Note também que o texto diz que Jesus “…Com sua palavra expulsou deles os espiritos”. Será que na expiação, Jesus também levou a possessão demoníaca? longe de nós tal pensamento! Ora Mateus mostra que ao curar enfermos e expulsar demônios, Jesus mostrava ser o messias, que curaria nossas doenças espirituais, algo que foi realizado na cruz do calvário.
Claramente vemos que Melacton está equivocado. Por que Jesus levaria as consequências do pecado se ele já estava levando o próprio pecado? Quando há ausência do pecado, há ausência das doenças. Se Adão não tivesse pecado, jamais haveria doença. Foi por causa do pecado no mundo que começamos a ficar doentes. Jesus, ao morrer, redimiu o homem tanto na alma e no espiríto quanto no corpo. Por isso havemos de ressucitar e gozaremos de plena saúde(1 Co 15:42-44), isso já poderia ser feito se fossemos plenamente santificados, porém o processo é lento e gradual. Entretanto, cremos que Jesus levou nossos pecados, somos salvos e o pecado não tem dominío sobre nós. Se Jesus levou nossas doenças juntamente com os nossos pecados, é claro que elas não teriam domínio sobre nós. ficaríamos doentes, porém uma oração pedindo cura resolveria tudo, assim como oramos para que Deus perdoe os nossos pecados e somos perdoados imediatamente, ficaríamos curados de maneira instantânea com apenas um pedido de cura.
É necessário afirmar que nem Romeiro nem Stott negam a cura divina, muito menos eu. Creio sim que Deus cura hoje, e pode fazer a hora que quiser. Por isso a afirmação do pastor José de que a cura divina está sendo associada a confissão positiva não procede, pelo menos com relação a mim, Stott e Romeiro( e tantos outros).
Por mais que o pastor José não aceite, essa doutrina leva ao mesmo resultado prático do que a confissão positiva prega: sempre seremos saudáveis. Infelizmente isso parece se confirmar com o comentário final do pastor sobre este assunto: “Não entendemos como Jesus pôde levar sobre si os nossos pecados, sendo ele imaculado, mas cremos na Palavra”. Será que ele está firmando que Jesus literalmente “Se fez pecado” por nós? Se essa for a conclusão, o pastor cai no mesmo erro da confissão positiva, não entendendo que na verdade o sacricío de Cristo foi uma expiação substitituitiva, ou substituição representativa, onde um inocente leva a culpa de um transgressor, tipificada nos sacrifícios de animais no Antigo Testamento.
Deus Cura hoje! Mas que ele nos livre de acharmos que sempre seremos saudáveis. As vezes a doenças estão sobre nós para a glória de Deus, outras vezes ela aparece pois Deus, em Sua Sabedoria e Soberania tem o propósito de nos santificar. Deus é soberano! Caso ele não nos cure, Sua graça nos Basta!(2 Co 12:9)
Nota atual: este artigo foi um dos primeiros a receber comentários, sendo que este fora comentado por meu grande amigo e irmão em Cristo Gutierres Siqueira. Houve certa resposta de alguém que afirmava ser o pastor José Gonçalves, mas até hoje há dúvidas com relação a isso.
11
Jan
08

O Círio, o Neófito e a Cruz Vermelha

Belém está agitada nestes dias com a chegada da celebração que a mídia chama de “natal dos paraenses”, o Círio de Nazaré. Os locais públicos de Belém, pelo menos a sua maioria, estão carregados de homenagem a “mãezinha”. Segundo dados por demais questionáveis, a festa pode atrair este ano mais de três milhões de católicos(como se Belém conseguisse suportar os famosos 1 milhão de pessoas) que se reúnem em uma procissão com mais de seis horas de duração( em todos os anos há certas variações), onde percorrem um duro trajeto levando uma extensa corda até a Basílica que tem o nome da “santa”. Os dias são de muita idolatria, que tem efeitos em todos os setores da cidade, desde repartições públicas até em faculdades e transportes coletivos.
Certa vez, pouco depois de ter saído da época neófita(não fazia muito tempo que eu havia me convertido e pouco tempo é que eu havia tido a experiência do que é viver o nascer de novo), decidi ser um voluntário na cruz vermelha, não para ajudar os “os irmãos na fé”, mas para acabar o mais rápido possível com os problemas enfrentados pelas pessoas ali presentes( desmaios, fraquezas, entre outros problemas). Alguém talvez questione a minha atitude, e certamente estou passível de ser criticado, se alguém em perguntar se quero fazer isso de novo, certamente responderei que não. Porém creio que Deus me mostrou a influência da idolatria em meu estado e cidade. Acompanhando os fiéis desde o início do ver-o-pêso, com suas ruas sujas com papelão molhado por água de vala ou chuva, onde milhares de pessoas lutando para prosseguir seu caminho numa luta quase além dos limites, desejando agradecer aos “milagres” efetuados ou pagar uma promessa feita, alguns segurando a corda com uma mão e com a outra portando uma latinha de cerveja, assim também como se não me engano, homessexuais se agrando em dar um sacrifício na corda.
Tive muito trabalho neste dia, carregando na maca diversos tipos de pessoas, desde simples casos de um desmaio momentâneo até um idoso com problemas de coluna. Porém um caso me marcou muito neste dia. Estávamos bastante distantes de um dos postos da Cruz vermelha, comum sol começando a esquentar ainda mais(cerca de 32º a 35º graus), quando ouvimos um grito: “EI, AJUNDEM-NA, ELA ESTÁ GRÁVIDA!!!!”, não sei o quanto andamos carregando, não uma,mas duas pessoas, passando pelos mais variados lugares e tipos de pessoas. um rapaz até disse algo que me chamou muita à atenção: “E aí??? Ela já morreu ou não?”.
Dali eu vi umacoisa importantissíma: a importância da evangelização. Não somente uma evangelização simplista, mas uma evangelização que conscientize os indivíduos que nenhuma bondade há no ser humano que possa o salvá-lo, mas que, pelo contrário, estão debaixo da ira de Deus. Muitas pessoas acham(assim como eu achava) que possuem uma certa bondade o suficiente para merecer o céu, e que ao fazer algum tipo de sacrfício
poderão pagar a sua dívida com Deus e serem aceitos no céu. assim também como recorrer a intermediários que façam um contato melhor com Cristo. è importante pregar o Evangelho com interpridez, sabendo que omesmo Deus que irou-se consco, nos amou a ponto de entregar o seu único filho, oremos para queo Espírto Santo possa iluminar as pessoas ainda não salvas e que possam reconhecer que :
“Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devemos ser salvos” (At 4:12)
“Poque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo”( Tm 2:5-6).
Não podemos nos esquecer das maravilhosas doutrinas da graça, da justificação pela fé, da suficiência de Cristo. Que Deus possa perdoar nossos pecados e nos usar para tal propósito, nesses dias onde a igreja evangélica cada vez mais retrocede.

Soli Deo Gloria

Artigo postado anteriormente no blog Geração que Lamba, em decorrência da festa do Círio, em outubro de 2007.

11
Jan
08

Onde Estás, Ó Beréia?

 

Uma das doutrinas mais contundentes da reforma, depois dos Sola, sem dúvida alguma é a do sacerdócio de todos os crentes. A primeira vista essa doutrina parece simples e banal, principalmente nos dias de hoje. Mas foi revolucionária na história do protestantismo,e hoje mais do que nunca, essa doutrina precisa ser revivida na memória dos crentes.
A doutrina do sacerdócio de todos os crentes afirma que cada fiel é capaz de interpretar a Bíblia por si mesmo, com o auxilio(iluminação, direção, testemunho) do Espírito Santo, sem necessidade de mediadores. Na idade média quem detinha o conhecimento e interpretação era a instituição estabelecida, ou seja, a igreja católica-romana. O fiel necessitava da igreja para entender a Bíblia. Com o passar do tempo a igreja acabou sendo de certa forma uma mediadora entre Deus e os homens, substituindo o lugar da Bíblia e até mesmo do próprio Cristo.
Com o advento da reforma tudo mudou, e a partir de agora, o fiel teria a capacidade de aprender a palavra de Deus por si mesmo com o auxilio do Espírito Santo. Essa, certamente foi uma das doutrinas que mais abalou Roma, que possuía um controle fortíssimo sobre a consciência dos cristãos da época.
Todavia com essa doutrina, o tiro pode certamente sair pela culatra. Se todos podem interpretar a Bíblia, como saber se uma interpretação é correta ou não? Haja vista que há muitos casos de interpretação forçada ou errada da palavra, muitas vezes com consequências gravíssimas para a saúde espiritual dos crentes. Diante desse fato, o que fazer? É aí que entra o papel do pastor/líder na congregação.
Em nenhum momento a doutrina do sacerdócio de todos os crentes busca denegrir o papel do pastor na congregação. Pelo contrário, o papel dos pastores são fundamentais,pois são ministros de Deus treinados na Palavra com o intuito de edificar os crentes. A principal diferença nessa doutrina é que ao invés do crente ser meramente um ouvinte passivo e dependente do conhecimento do clero, ele é um investigador, que pensa por si mesmo, tendo a mente totalmente cativa por Deus e pela sua Palavra, orientado pelo Espírito Santo, ele é um exemplo de crente bereiano, que apear de respeitar o pregador, confere se suas palavras estão de acordo com a Palavra de Deus.
Diante desse fato, não custa nada perguntar: Ainda há o sacerdócio de todos os crentes? Muitos crentes estão cada vez mais deixando-se envolver por pastores e líderes heréticos, sem um mínimo de compromisso com Deus. Tais pessoas acabam defendendo e lutando por uma pessoas e não pela causa do evangelho, e certamente isto é por demais anti-bíblico. Líderes compromissados com a Palavra devem buscar dar alimento sólido pra o rebanho, produzindo um laicato fortalecido e vibrante pela causa do Senhor. Se os crentes não buscarem este auxilio juntamente com o Espírito Santo,e se não existirem líderes compromissados com a palavra para ensina-los, então a saudade e a pergunta sobre um lugar prevalecerão: Onde estás, ó Beréia?Soli Deo Gloria

11
Jan
08

Polêmica, a prática da reforma ( que acabamos esquecendo)


O leitor que lê os escritos de Martinho Lutero certamente fica um tanto chocado com seu estilo de escrever. Em seus escritos há uma dureza, firmeza e até mesmo ofensas dadas nos adversários. À primeira vista, sem algum tipo de compaixão e piedade. Os escritos de Calvino e outros reformadores também esboçam um pouco disso. Não é duvidoso que muitos hoje, caso esses homens estivessem vivos, os taxassem de fanáticos ou extremamente radicais. Lutero tinha um temperamento um tanto explosivo, e às vezes isso refletia bastante em seus escritos ( o suficiente para que seus críticos o taxem como vilão), porém quem conhecia esses homens e outros de seus escritos também entenderia um pouco mais de seus motivos. Em um escrito no qual fala sobre Melancton Lutero afirma:” nasci para lutar contra os partidos e demônios. Eis a razão de meus escritos estarem cheios de guerra e tempestade. Tenho de desarraigar troncos, tirar espinhos e abrolhos, aterrar charcos e atoleiros. Sou o rude cantoneiro que prepara as estardas e aplaina os caminhos. Filipe[ referindo-se a Melancton], mestres em artes, adianta-se tranquila e brandamente e, com alegria, planta, semeia, cultiva e rega, segundo os dons que deus lhe concedeu com tanta liberdade”. È verdade que Lutero até mesmo reconheceu que tinha sido muito duro em seus escritos. Porém o que devemos notar é que a linguagem que Lutero utiliza é decorrência direta do método de “debate” , que é a polêmica. Em um sentido um tanto quanto cristão, polêmica é a refutação, à vezes agressiva ou firme, de proposições doutrinárias que vão muito além da ortodoxia do cristianismo. Difere-se do irenismo, prática que deriva-se do pai da igreja Irineu. Neste método, o debate é dentro do contexto de cristãos ortodoxos que discordam em algum ponto um tanto quanto controverso da Bíblia, mas sem ferir a ortodoxia. O debate é calmo e amigável, dentro do contexto do amor cristão. Hoje em dia, muitos cristãos detestam a polêmica e apegam-se muito mais ao irenismo, afirmando que é o “melhor caminho e demonstração de amor cristão”, já existe até dizeres onde afirma-se que quem inventou a polêmica fora Satanás. É verdade que muitas vezes no cristianismo onde deveria-se usar o irenismo usou-se de demasiada polêmica, o que de certa forma, traumatizou as mentes cristãs mais sensíveis, polêmica ás vezes, é demonstrada com zelo, mas sem conhecimento. Por outro lado, o irenismo extremado é por demais perigoso, ás vezes tendendo para o ecumenismo e o liberalismo. Um exemplo disso é o livro de Roger Olson, História das Controvérsias na Teologia Cristã, apesar de conter informações preciosas,o livro é por demais conciliador, ao ponto de Olson simpatizar até com a doutrina do purgatório, proposta por Tomás de Aquino.
Não é justo esquecermos que a polêmica foi muitas vezes utilizada pelo apóstolo Paulo em suas cartas, assim como outros autores, muitas vezes é necessário despertarmos uma geração com brado e exortação, todavia, às veze até mesmo cristãos, que ainda se encontram no limite da ortodoxia, precisam ser alertados por doutrinas que certamente o levarão para um conceito beirando a heresia, se é que isso esse conceito já não os alcançou. É verdade que muitas vezes podemos ser taxados de frios e sem amor, mas muitas vezes os polêmicos são bastante dóceis, e não significam que não tenham compaixão. Certa vez em um dos primeiros artigos do blog, fiz uma crítica as revistas de EBD da CPAD utilizando uma linguagem bastante polêmica, caso alguém ligado às revistas leia, como o pastor Esdras, peço que me perdoe sinceramente, até porque errei em alguns pontos de minha análise e colocações, e, como Lutero, talvez tenha sido duro demais,em nenhum momento espero estragar minha admiração pelo pastor Esdras e pela revista, que me acompanha desde que eu conheci a escola dominical.
Todavia, a despeito de alguns erros, a polêmica é uma “arte” necessária nesses tempos controversos de hoje, e de forma alguma deve ser menosprezada no mundo cristão, incluindo os pentecostais, que por muito tempo utilizaram a linguagem polêmica. Obviamente que essa polêmica também seja temperada com sabedoria, conhecimento e amor cristão.
Soli Deo Gloria

11
Jan
08

A Reforma, O Protestantismo e as Universidades.

É inegável o fato da reforma ter sido um movimento com profundos toques de eruditismo. Outro fator que está intimamente ligado a este, sem dúvida, é a questão das universidades terem contribuído para que o movimento reformista tivesse bagagem e fundamento na palavra de Deus.
As universidades ganharam força na Idade Média, onde a maior ciência era a teologia, então considerada a rainha de todas as outras. Foi em universidades que surgiram gênios do calibre de Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino. Foi dela que saíram homens controversos como Guilherme de Occam, Pedro Abelardo, entre outros. É inegável o fato das universidades terem sua história misturada com o cristianismo. Os reformadores não foram exceção em valorizar as faculdades, pelo contrário, Lutero começou sua reforma debatendo contra oponentes brutais como Eck na universidade de Winttenberg, que apoiou grandemente a reforma Luterana na Alemanha. Calvino obteve grandes feitos na academia de Genebra, os puritanos foram grandes professores em universidades como Oxford, além de fundarem Havard, uma das mais conceituadas universidades americanas. Jonathan Edwards foi o primeiro presidente de Princenton.
Hoje, em um mundo cada vez mais secularizado, onde universidades e faculdades tem como fundamento o marxismo, uma filosofia abertamente anti-cristã, a maior denominação evangélica do Brasil, no qual faço parte, também carece de faculdades e universidades voltadas para o ensino bíblico e sadio, dentro de uma perspectiva cristã. A assembléia de Deus possui uma rica e bela tradição em escola dominical, algo que por muito tempo vem fortalecendo os crentes da denominação(apesar dela cada vez mais está sendo menosprezada ou jogada de lado pela liderança da igreja, quer por descaso, quer por controvérsias politicas e pessoais). Todavia, falta em minha denominação, uma identidade universitária. Os metodistas e presbiterianos, e também Luteranos estão à frente dos pentecostais nesta área. Apesar da Assembléia de Deus ter uma tradição bem sólida em seminários, falta uma perspectiva e aprofundamento maior em outras matérias que abrangem a vida humana, como economia,política, relações humanas, comunicação. É necessário que a igreja habilite profissionais para que exerçam o seu ministério dentro de uma perspectiva cristã, onde tudo o que se faz seja para a glória de Deus. Essa era a perspectiva dos puritanos e dos reformadores iniciais. E isso não se restringe aos calvinistas, pois sinergistas como os pietistas também tiveram relações com universidades, Armínio debateu em favor do sinergismo em uma Universidade na Holanda.
Com o número cada vez maior de heresias e filosofias anti-bíblicas no mundo, os pentecostais devem cada vez mais levantar o estandarte da Verdade e estabelecer instituições compromissadas com a doutrina e perspectiva cristã. É necessário um maior engajamento nessa área. Cada vez mais o Brasil necessita de uma reforma educacional. Muitas vezes perdemos a oportunidade de inciar essa reforma. Muitos problemas que temos hoje, como o Marxismo, o evolucionismo, o ateísmo, homofobia e outros seriam amenizados se tivéssemos começado isso a mais tempo. Mas nada está perdido, e certamente Deus tem nos dado testemunhas de que isso é possível de se realizar. Eis aí o nome deles: Lutero, Calvino, Edwards, Aquino, Armínio e tantos outros.Soli Deo Gloria