Polêmica, a prática da reforma ( que acabamos esquecendo)


O leitor que lê os escritos de Martinho Lutero certamente fica um tanto chocado com seu estilo de escrever. Em seus escritos há uma dureza, firmeza e até mesmo ofensas dadas nos adversários. À primeira vista, sem algum tipo de compaixão e piedade. Os escritos de Calvino e outros reformadores também esboçam um pouco disso. Não é duvidoso que muitos hoje, caso esses homens estivessem vivos, os taxassem de fanáticos ou extremamente radicais. Lutero tinha um temperamento um tanto explosivo, e às vezes isso refletia bastante em seus escritos ( o suficiente para que seus críticos o taxem como vilão), porém quem conhecia esses homens e outros de seus escritos também entenderia um pouco mais de seus motivos. Em um escrito no qual fala sobre Melancton Lutero afirma:” nasci para lutar contra os partidos e demônios. Eis a razão de meus escritos estarem cheios de guerra e tempestade. Tenho de desarraigar troncos, tirar espinhos e abrolhos, aterrar charcos e atoleiros. Sou o rude cantoneiro que prepara as estardas e aplaina os caminhos. Filipe[ referindo-se a Melancton], mestres em artes, adianta-se tranquila e brandamente e, com alegria, planta, semeia, cultiva e rega, segundo os dons que deus lhe concedeu com tanta liberdade”. È verdade que Lutero até mesmo reconheceu que tinha sido muito duro em seus escritos. Porém o que devemos notar é que a linguagem que Lutero utiliza é decorrência direta do método de “debate” , que é a polêmica. Em um sentido um tanto quanto cristão, polêmica é a refutação, à vezes agressiva ou firme, de proposições doutrinárias que vão muito além da ortodoxia do cristianismo. Difere-se do irenismo, prática que deriva-se do pai da igreja Irineu. Neste método, o debate é dentro do contexto de cristãos ortodoxos que discordam em algum ponto um tanto quanto controverso da Bíblia, mas sem ferir a ortodoxia. O debate é calmo e amigável, dentro do contexto do amor cristão. Hoje em dia, muitos cristãos detestam a polêmica e apegam-se muito mais ao irenismo, afirmando que é o “melhor caminho e demonstração de amor cristão”, já existe até dizeres onde afirma-se que quem inventou a polêmica fora Satanás. É verdade que muitas vezes no cristianismo onde deveria-se usar o irenismo usou-se de demasiada polêmica, o que de certa forma, traumatizou as mentes cristãs mais sensíveis, polêmica ás vezes, é demonstrada com zelo, mas sem conhecimento. Por outro lado, o irenismo extremado é por demais perigoso, ás vezes tendendo para o ecumenismo e o liberalismo. Um exemplo disso é o livro de Roger Olson, História das Controvérsias na Teologia Cristã, apesar de conter informações preciosas,o livro é por demais conciliador, ao ponto de Olson simpatizar até com a doutrina do purgatório, proposta por Tomás de Aquino.
Não é justo esquecermos que a polêmica foi muitas vezes utilizada pelo apóstolo Paulo em suas cartas, assim como outros autores, muitas vezes é necessário despertarmos uma geração com brado e exortação, todavia, às veze até mesmo cristãos, que ainda se encontram no limite da ortodoxia, precisam ser alertados por doutrinas que certamente o levarão para um conceito beirando a heresia, se é que isso esse conceito já não os alcançou. É verdade que muitas vezes podemos ser taxados de frios e sem amor, mas muitas vezes os polêmicos são bastante dóceis, e não significam que não tenham compaixão. Certa vez em um dos primeiros artigos do blog, fiz uma crítica as revistas de EBD da CPAD utilizando uma linguagem bastante polêmica, caso alguém ligado às revistas leia, como o pastor Esdras, peço que me perdoe sinceramente, até porque errei em alguns pontos de minha análise e colocações, e, como Lutero, talvez tenha sido duro demais,em nenhum momento espero estragar minha admiração pelo pastor Esdras e pela revista, que me acompanha desde que eu conheci a escola dominical.
Todavia, a despeito de alguns erros, a polêmica é uma “arte” necessária nesses tempos controversos de hoje, e de forma alguma deve ser menosprezada no mundo cristão, incluindo os pentecostais, que por muito tempo utilizaram a linguagem polêmica. Obviamente que essa polêmica também seja temperada com sabedoria, conhecimento e amor cristão.
Soli Deo Gloria

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